Eu sou um copo.
Às vezes cheio, às vezes vazio.
Às vezes sujo, mas quase nunca limpo.
Assumo diferentes formas, mas quem se importa, um dia eu vou quebrar.
Não sou como os de cristal. Não exite uma ocasião especial para eu ser usado.
Já hospedei água quando os dias são quentes. Já hospedei café quando não tinha uma caneca limpa. Já hospedei sorvete quando a gula falou mais alto.
Quer saber, me fazem na versão plástico.
E eu sou abusado. Não tenho valor. Enchem-me até a boca, bebem o conteúdo que carrego, depois amassam-me e... Discartam-me. As crianças me rasgam e eu viro florzinha e até o Sol.
Se venho furado, ralham ao vento. Mas o que eu posso fazer? Desculpe-me se não sou perfeito como os outros 99 copos.
Eu mudo de cor. Já fui rosa, amarelho, vermelho, azul, verde, preto e o tradicional branco. Já fizeram-me tanto que uns conseguem me despir e me utilizar, e me reutilizar,e me reutilizar até que eu não suporte e morra.
Como podem abusar do meu pequeno ser? Assim, mesmo quando tudo que contenho você pode ver?
Eu fui feito pra isto. É como sou e é como está escrito no papel. 
Descartável.
Quentinho ou gelado. Inteiro ou quebrado. Sem rugas ou amassado. Você pode escolher.
Tanto faz. No final, sirvo a você. E não importa se prefiro não ser tocado, não importa se lhe dizem tenham cuidado... Ainda sim, não serei como eu mesmo feito de barro. Altamente modelável, capaz de ser feito com cuidado e pouco utilizado.
Oh, euadimiro! Sim, eu adimiro os que conseguem ser termicos e tratam vocês como são tratados. Calor com calor e frio com frio. Também dizem que existem os mais controlados, os vários copos retráteis e com tampas. Nunca vazam ou não ocupam espaço. Eu não consigo.
Não consigo ser como os poucos copos vigativos. Se é quebrado, ele dá o troco e busca o sangue do agressor para redimir a sua finita vida.
Contudo esse não sou eu. Nenhum desses copos sou eu. Sou apenas um mero copo. Aqui esperando a minha vez de ser requisitado.

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